Ex‑presidente diz estar pronto para intermediar a revogação de tarifação de produtos brasileiros pelos EUA, desde que tenha permissão judicial para sair do país.
Em entrevista coletiva nesta quinta-feira (17), no Senado Federal, o ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que, se tiver seu passaporte devolvido pela Justiça, está disposto a viajar aos Estados Unidos para negociar diretamente com Donald Trump a revogação das tarifas de 50% impostas a produtos brasileiros. A declaração ocorre em meio à escalada de tensão comercial entre os dois países após o governo norte-americano anunciar medidas que afetam principalmente o agronegócio.
Bolsonaro afirmou que tem condições de abrir diálogo com Trump e que poderia ajudar o Brasil nesse momento, desde que haja “sinalização” por parte do presidente Lula e autorização do Supremo Tribunal Federal. “Se o Lula me der o passaporte, eu negocio com o Trump”, disse, acrescentando que os Estados Unidos não têm atualmente uma liderança brasileira com quem tratar de forma eficaz.
Desde fevereiro de 2024, o passaporte do ex-presidente está retido por ordem do ministro Alexandre de Moraes, no âmbito das investigações sobre tentativa de golpe de Estado. Os pedidos de liberação já foram negados em outras ocasiões, inclusive para que Bolsonaro participasse da posse de Trump, caso este retorne à Casa Branca.
O ex-presidente também destacou a atuação de seu filho, Eduardo Bolsonaro, que está em Washington e, segundo ele, tem mantido conversas com membros do Partido Republicano. Bolsonaro afirmou que Eduardo “faz mais que a embaixadora” brasileira nos Estados Unidos e que está abrindo portas importantes na tentativa de conter os efeitos das medidas anunciadas por Trump.
A declaração de Bolsonaro acontece em um contexto de forte crítica do governo federal às tarifas impostas. O presidente Lula tem sinalizado que buscará respaldo internacional e pode acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC), além de aplicar medidas de reciprocidade caso os Estados Unidos mantenham a taxação.








