Em nota pública, gestores classificam declarações do governador mineiro como “falaciosas” e ofensivas aos cidadãos nordestinos
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), juntamente com outros nove governadores do Nordeste, divulgou uma nota de repúdio contra as declarações do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), a respeito do apoio do governo federal à região nordestina. O documento, publicado na sexta-feira (29), afirma que o posicionamento de Zema representa uma “narrativa falaciosa” que “insulta” os cidadãos do Nordeste.
Na declaração, os gestores estaduais ressaltaram que os avanços recentes da região são fruto de investimentos públicos em educação, ciência e pesquisa. “Apenas nas últimas décadas, com a expansão do sistema universitário federal e do investimento em pesquisa, a juventude nordestina começou a colher os frutos de uma presença mais consistente do Estado nacional, alcançando projeções positivas em ciência, cultura e economia”, destacou o texto.
A resposta veio após Zema afirmar, em entrevista ao portal Metrópoles, que “precisa ter o tempo de sanar essa situação. E o que existe no Brasil? Uma ajuda eterna e que não acaba nunca. Aí eu sou contra”.
Na nota, os governadores argumentaram que o debate deve ser compreendido à luz da história, lembrando que o Estado brasileiro privilegiou historicamente o eixo Sudeste-Sul, enquanto o Nordeste foi submetido a processos de desigualdade e abandono. Eles citaram exemplos que vão desde o ciclo do ouro em Minas Gerais e a centralização política no Rio de Janeiro até os incentivos dados às indústrias automobilísticas e siderúrgicas instaladas no Sudeste no século XX.
“O que está em jogo é a própria compreensão de desenvolvimento. Historicamente, setores do Sudeste resistem a discutir mecanismos de desenvolvimento regional, tratando-os como concessões indevidas. Mas não se trata de concessão: trata-se de justiça histórica e de cumprimento da Constituição, que reconhece a obrigação do Estado de corrigir desigualdades estruturais entre regiões”, afirmaram os governadores.








