À frente do Grupo Cantagalo, Cláudia Calmon de Sá investe em manejo e inovação para elevar a produtividade e reduzir impactos da volatilidade do mercado
Com tradição na cacauicultura desde a década de 1960, o Grupo Cantagalo vem apostando em tecnologia e boas práticas de manejo para enfrentar um dos maiores desafios do setor: a baixa produtividade, agravada pela chegada da vassoura-de-bruxa no fim dos anos 1980.
À frente dos negócios desde 2018, a médica veterinária Cláudia Calmon de Sá decidiu reposicionar a produção no Oeste da Bahia, buscando elevar a produtividade por hectare como estratégia para enfrentar a oscilação dos preços da amêndoa.
“Meu pai chegou a ter 24 fazendas, mas depois da vassoura-de-bruxa tivemos que reduzir. Hoje mantemos 14 propriedades, com 1.800 hectares de cacau, metade em cabruca e metade em sistemas agroflorestais com seringueiras”, explicou em entrevista à Bloomberg Línea. O pai a que se refere é o empresário, ex-banqueiro e ex-ministro Ângelo Calmon de Sá, nome tradicional nos negócios do Nordeste.
Cláudia destaca que as parcerias firmadas ao longo dos últimos anos foram fundamentais para manter a atividade. “Quando o preço do cacau estava muito baixo e vínhamos de muitos anos no prejuízo, a solução foi estabelecer parcerias nas fazendas que estavam em piores condições. Essa estratégia já tem mais de seis anos”, disse.
O grupo se diferencia pelo porte das propriedades, considerado grande no setor, já que a média nacional de área cultivada por produtor é de cerca de cinco hectares. A lógica é simples: quanto maior a produtividade, maior a resiliência do produtor diante das oscilações do mercado.
“Para quem tem alta produtividade, dá para ganhar muito dinheiro. Para quem tem média produtividade, o preço ainda é favorável. Mas para quem tem baixa produtividade, a queda do preço é motivo de preocupação”, afirmou.








