Mensagem que circula em grupos comprova pressão sobre servidores nomeados; autoria não é identificada, mas cobrança é tratada como fato consumado
Uma mensagem que circula amplamente em grupos de WhatsApp nos últimos dias escancara um cenário preocupante na política de Luís Eduardo Magalhães, no Oeste da Bahia, caracterizado por uma verdadeira ditadura das redes. O conteúdo revela uma cobrança direta por engajamento político nas redes sociais direcionada a secretários e servidores nomeados da Prefeitura. A cobrança é um fato. O que ainda não se sabe é quem, exatamente, foi o autor da mensagem.
No texto que circula, há uma exigência clara para que servidores nomeados passem a atuar de forma mais ativa em comentários e debates nas redes sociais, especialmente em postagens consideradas polêmicas envolvendo a gestão municipal. A orientação não se limita a comentar ações positivas do governo, mas determina que os nomeados entrem em polêmicas, monitorem páginas críticas e reajam de forma organizada às publicações contrárias à administração.
A mensagem orienta ainda que servidores sigam páginas e pessoas críticas à gestão, ativem notificações para acompanhar tudo o que for publicado e estejam atentos a qualquer conteúdo considerado desfavorável. Secretários são colocados como lideranças diretas dos nomeados, com a responsabilidade de conduzir e alinhar politicamente seus subordinados, deixando evidente uma cadeia de comando que extrapola o ambiente administrativo e invade o campo da liberdade individual.
Esse episódio reforça relatos que já vinham sendo feitos ao longo do último ano sobre um suposto ambiente de perseguição política dentro da gestão municipal. Pessoas que se manifestam de forma crítica, seja em comentários, postagens ou questionamentos públicos, relatam sofrer ataques coordenados de perfis falsos e represálias promovidas por servidores nomeados e até por pessoas ligadas ao alto escalão da Prefeitura.
A situação se agrava diante do fato de que quase a totalidade dos blogs, sites e páginas de notícias da cidade mantém contratos ou parcerias com a Prefeitura. Esse cenário contribui para uma narrativa quase sempre favorável à gestão, onde críticas, problemas e bastidores políticos dificilmente ganham espaço. Com isso, a população acaba vivendo uma realidade distorcida, sem acesso pleno às informações sobre o que de fato acontece na administração pública municipal.
Diante desse contexto, surgem questionamentos inevitáveis sobre os limites do poder público, o papel do jornalismo e a garantia da liberdade de expressão. Até onde vai a autoridade da gestão sobre a atuação digital de servidores? Qual o limite entre comunicação institucional e coerção política? E quem fiscaliza quando a informação passa a ser controlada por interesses de governo?
O grupo de imprensa Página 1 reafirma seu compromisso com a informação e repudia qualquer tipo de ataque, intimidação ou tentativa de silenciamento contra seus colaboradores e sua direção. Informar a população sobre fatos, bastidores da política local, regional e estadual é um dever do jornalismo e um direito da sociedade.
A redação teve acesso ao conteúdo completo da mensagem no final da última segunda-feira, dia 12. Embora não seja possível identificar oficialmente o autor, o teor do texto deixa claro que a cobrança partiu de alguém com influência e poder dentro da estrutura da Prefeitura, exigindo que secretários pressionem servidores nomeados a agir politicamente nas redes sociais.
A seguir, o texto completo que circulou nos grupos de WhatsApp:
“Pessoal, primeira pauta de ataque no ano foi zero participação política do grupo.Comentar em pontos positivos, natural. Agora comentar em polêmicas e envolver os nomeados, necessário.
Nenhum secretário ou liderança política aqui deve ser ‘acionado’ para defesa, deve-se ser um comportamento natural.Vou adicionar o Diego Igor e a partir de hoje, ele que ficará acompanhando.Fomos criticados pela instalação dos portões.
E não houve comentários nas páginas me defendendo de nenhum nomeado.
Amanhã, façam alinhamento com os nomeados de suas secretarias. Não vou assistir isso ficar acontecendo.E quanto ao caso, tínhamos linha de defesa, que todos aqui sabem; Isso foi uma medida paliativa da Defesa Civil para proteger vidas até que se resolva os problemas. Somos o único governo que fez obras de drenagem na cidade; em apenas um bairro, no Jardim das Acácias, foram investidos 70 milhões. Vamos resolver a cidade toda, mas precisamos de tempo.
A cidade foi conduzida por 20 anos sem planejamento.
‼️Diego, passa o link de todas as páginas para que todos possam seguir e acompanhar.
🔔Sugestão, acionam nas páginas o sino em posts e stories.
🚨IMPORTANTE: Todos os secretários são lideranças de seus nomeados e devem conduzi-los.”








