Ex-secretária questiona uso de mão de obra estrangeira, irregularidades apontadas pelo Ministério do Trabalho e impactos reais para o emprego dos baianos
A médica e ex-secretária de Saúde Raissa Soares utilizou as redes sociais nesta terça-feira (17) para levantar questionamentos sobre a implantação da fábrica da BYD em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. O empreendimento foi anunciado após a saída da Ford e é apontado como uma nova fase de industrialização no estado, com promessa de investimentos bilionários e geração de empregos.
A manifestação ocorre após dados divulgados pelo Ministério do Trabalho indicarem que 163 trabalhadores chineses foram resgatados em condições análogas à escravidão em obras ligadas à construção da unidade. O órgão também informou que 471 trabalhadores foram trazidos de forma irregular, além da emissão de mais de 60 autos de infração durante a fiscalização.
Em sua publicação, Raissa Soares questionou os impactos do projeto para o mercado de trabalho local. Segundo ela, é necessário esclarecer quem está sendo efetivamente beneficiado pelo empreendimento e se as oportunidades prometidas estão chegando aos trabalhadores baianos.
Outro ponto citado envolve discussões sobre uma possível área residencial vinculada ao projeto. O tema tem circulado em debates públicos e nas redes sociais, sendo associado por parte da população à ideia de uma “cidade chinesa” na Bahia expressão sem caráter oficial, mas que reflete dúvidas sobre a dinâmica de ocupação e a composição da mão de obra.
Além das questões locais, a BYD mantém contratos com o poder público brasileiro. Em 2024, a empresa firmou acordo com um órgão federal para o fornecimento de veículos híbridos plug-in, em um modelo que prevê exigências como regularidade fiscal, garantias contratuais e vedação à subcontratação.
Para Raissa Soares, o cenário exige mais transparência. Ela defende que investimentos são importantes para o desenvolvimento, mas precisam vir acompanhados de responsabilidade, respeito aos trabalhadores e clareza sobre os benefícios gerados para a população local.








