Dados reunidos a partir do Portal da Transparência indicam que oito ex-prefeitos ligados ao grupo político de ACM Neto ocuparam cargos comissionados na gestão Bruno Reis, acumulando mais de R$ 3,4 milhões em remunerações.
Levantamento divulgado com base em dados do Portal da Transparência da Prefeitura de Salvador aponta que oito ex-prefeitos do interior da Bahia, todos identificados como integrantes do grupo político do ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), ocupam ou ocuparam cargos comissionados na administração do prefeito Bruno Reis (União Brasil). Juntos, os pagamentos registrados aos ex-gestores somam R$ 3.401.844,64.
Entre os nomes citados está o de Reinaldo Braga, ex-prefeito de Xique-Xique e atual coordenador da campanha de ACM Neto. Conforme o levantamento, ele foi nomeado assessor especial da Companhia de Desenvolvimento Urbano de Salvador (Desal) e recebeu mais de R$ 406 mil em pouco mais de um ano. Em um dos meses, os pagamentos ultrapassaram R$ 64 mil.
Outro caso destacado é o de Marcelo Oliveira, ex-prefeito de Mata de São João, que ocupou os cargos de secretário municipal de Educação e gerente de projetos da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (Semit). Segundo os dados apresentados, os valores pagos a ele pela Prefeitura de Salvador superam R$ 1,5 milhão.
A relação inclui ainda Arival Viana, ex-prefeito de Buritirama, atualmente na Desal; Rodrigo Hagge, ex-prefeito de Itapetinga, na Limpurb; Pedro Alves de Oliveira, ex-prefeito de Curaçá, também na Limpurb; Colbert Martins, ex-prefeito de Feira de Santana, na Secretaria Municipal de Governo; Ezenivaldo Alves Dourado, ex-prefeito de Canarana; e Joyuson Vieira, ex-prefeito de Utinga, nomeado na Companhia Salvador Cidade Inteligente.
As nomeações para cargos comissionados são previstas na legislação e fazem parte da estrutura administrativa dos governos. No entanto, o volume de ex-prefeitos ligados ao mesmo grupo político ocupando funções na Prefeitura de Salvador chama atenção e abre espaço para questionamentos sobre os critérios adotados para essas escolhas. O fato também levanta discussões sobre a possível utilização da máquina pública para manter lideranças políticas alinhadas ao projeto eleitoral do grupo para as eleições de 2026.
Até o momento, não há decisão judicial apontando irregularidades nas nomeações. Ainda assim, o levantamento amplia o debate sobre transparência, impessoalidade na ocupação de cargos públicos e os limites entre a articulação política e a administração pública, especialmente quando os beneficiados exercem papel de liderança em um grupo político que se prepara para a próxima disputa pelo Governo da Bahia.








