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Em primeiro discurso de campanha, Lula se apresenta como ‘peão’, promete ‘libertar favelas’, faz menções a Deus e acena às mulheres

Ao lado de Fernando Haddad, presidente fez críticas à direita, mas não citou Flávio Bolsonaro

No primeiro ato da campanha à reeleição, neste domingo (16), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se apresentou como "um peão" que conhece o povo brasileiro e defende os trabalhadores. O petista fez diversas menções a Deus, acenou às mulheres e prometeu criar um ministério para a segurança pública para "libertar" favelas e bairros pobres dominados pelo crime organizado.

Vocês colocaram na presidência uma peão, quase um analfabeto. Eu só tenho o primário e um curso do Senai. Mas eu conheço o coração e a mente de vocês. E eu tenho certeza que os outros que passaram por esse país não conheceram disse Lula, abrindo o palanque até o primeiro turno, marcado para o dia 4 de outubro.

O PT organizou um comício no Estádio 1° de Maio, em São Bernardo do Campo (SP), "onde tudo começou", em referência a greves lideradas por Lula em 1979, quando era a principal voz do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. O presidente foi acompanhado por Geraldo Alckmin (PSB), seu companheiro de chapa mais uma vez, e Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo.

Lula subiu ao palco após uma contagem regressiva de 13 minutos, em referência ao número de urna do PT. O candidato, primeiro, assistiu a depoimentos de colegas do movimento sindical, com relatos sobre a repressão da greve na ditadura eles depois apareceram presencialmente, com uma versão instrumental do jingle "Lula Lá", da campanha presidencial de 1989, ao fundo.

Alckmin veio na sequência, ao lado da esposa, Lu Alckmin, da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e de Haddad, acompanhado pela esposa Ana Estela. Fafá de Belém, anunciada como a "voz das Diretas Já", cantou o hino brasileiro. Quem abriu os discursos foi a deputada federal Benedita da Silva (PT), que tenta uma vaga no Senado pelo Rio de Janeiro, antes do núcleo principal em revezamento.

Em um discurso de 36 minutos, Lula justificou a tentativa de chegar ao quarto mandato pela perspectiva barrar uma "direita que ficava dando risada das crianças que estavam morrendo por falta de remédio, que é responsável pela morte de 400 mil pessoas na Covid por irresponsabilidade com a vacina". Era uma referência indireta ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que escalou um dos filhos, o senador Flávio Bolsonaro (PL), para a disputa este ano.

Que futuro essas pessoas pensam para o povo brasileiro, se você ri de um velhinho que está morrendo asfixiado por falta de ar? Que futuro você quer para o povo brasileiro, se você não investir em educação, saúde, casa e emprego? Enquanto eles criaram no mandato dele 2 milhões de empregos, nós criamos 10 milhões e 100 mil empregos formais em três anos e meio. Isso é pensar no futuro.

Houve ainda diversas outras comparações com o governo anterior, que foram resumidas por Lula no final do discurso, antes de ele próprio admitir que parte da militância parecia cansada e começava a deixar as arquibancadas. "Vocês têm que estar preparados para saber algumas coisas", declarou o candidato do PT, antes de repassar a lista que começava com a redução na evasão escolar e terminava com o crescimento econômico.

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